E Quando o Menino Brinca de… Boneca???

Há alguns anos, acho que uns 6 ou 7, eu vi uma peça chamada O Menino Que Brincava de Ser, uma adaptação do livro de mesmo nome.
Um cenário simples, 4 atores em cena, 2 meninos, 2 meninas, um texto bonito pra qualquer crianças se apaixonar.
O Menino Que Brincava de Ser não falava de gênero, de sexualidade ou de sexo (macho e fêmea). Falava de infância, falava de meninos e meninas que apenas queriam brincar com bonecos, bonecas, casinha, pique e tudo mais. Mas brincar sem opressão. Apenas brincar! A peça também nos mostra como nós educadores, pais e tios estamos sempre impondo gênero para uma criança:
* VOCÊ NÃO PODE BRINCAR DE BONECA, VOCÊ É MENINO!
* FUTEBOL NÃO! MENINA NÃO JOGA FUTEBOL!
* COMPORTE-SE COMO UMA MENINA!
* ISSO É COISA DE MARICA!
* ROSA NÃO É PRA MENINO!
* ESTA TODA SUJA, PARECE UM MULEKE!
* NÃO SENTE-SE COMO UM GAROTO!

Poderia passar horas aqui escrevendo diversas frases que eu já ouvi quando criança ou que já ouvi pais falando para seus filhos. E isso é… Triste!

Com o tempo, observando alguns amigos gays e héteros, comecei a me perguntar: Onde na infância incentivamos um comportamento de gênero? Onde reprimir ou permitir algum comportamento leva o filho a ser gay, lesbica, bissexual, trans ou afins?
O resultado da minha leiga pesquisa é: Descobri que não descobri nada!!
Muitos amigos gays tiveram uma infância comum de menino. Eles jogaram bola, eles tiveram vídeo games,  carrinhos, pipa, bole de gude…. E outros amigos, héteros, casados e com filhos, tiveram uma infância mais livre, brincaram de casinha sim, passavam horas com as primas brincando de comidinha e usavam seus bonecos para casar com as bonecas delas.

Mas uma coisa a minha vaga pesquisa me deu certeza: Não é um boneco, uma bola, a cor rosa ou azul que vai definir quem nossos filhos hão de ser, essas coisas não hão de definir a sexualidade ou gênero deles. Eles só precisam de um pouco de liberdade, um pouco de paz, um pouco de carinho, um pouco de obrigações, um pouco de obediência (pq rebeldia tbm faz parte), um pouco de amor… E depois, quando eles tiverem já maduros e o coração, antes pequenino, agora firme… Aí eles hão de saber a quem amar e também como se amar.

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Certa vez uma história caiu em meu colo, eu adaptei ela, e em muitas sessões de histórias eu conto ela para os pequenos e quando inicio uma oficina de Contação de Histórias para jovens, pais e educadores.

“Uma vez conheci um papel que não queria ser papel. Então, ele resolveu se chamar Alegria. Por onde Alegria passava ele dizia”- Prazer, eu sou alegria e você?” e outros respondiam “- Eu sou papel…”.  O tempo foi passando e alegria sabia que no fundo, lá fundo, ele continuava sendo papel. Então ele teve uma ideia. Ele resolveu ir até criador e lá no criador ele disse: “-Criador! Seja o que for. Como for. Quero ser qualquer coisa a não ser o que sou”. O criador, bondoso do jeito que é, transformou alegria num num chapéu. Alegria até gostou de ser chapéu, até ele ir, na cabeça de um soldado, pra guerra e ver coisas horríveis na guerra. Alegria voltou desesperado até o criador e disse novamente “-Criador! Seja o que for. Como for. Quero ser qualquer coisa a não ser o que sou”. O criador transformou alegria em barco. Só que a história de repetiu, Alegria inventou uma desculpa qualquer e pediu ao criador pra ser outra coisa  e o criador transformou Alegria em camisa, câmera, livro… Mas nada disso era o que Alegria queria ser de verdade. Um dia o criador cansou de transformar Alegria e irritado mandou muitos raios em alegria que picaram-no em mil pedaços…. Mas você acha que Alegria ficou triste? Que nada! Alegria se transformou numa linda chuva que caiu sobre as pessoas tristes… E desde daquele, quem tomou banho de alegria, nunca mais deixou de ter alegria dentro de si.
E acabou a história.”

Como Alegria, às vezes saímos do padrão que uma sociedade nos impõe. Podemos abaixar a cabeça e morrer reprimidos ou lutar com todas as forças para poder ser o que queremos ser e deixar florear a Alegria que adormece em nosso peito.
” Seja o Que For. Como For. Quero Ser Qualquer Coisa a Não Ser o Que Me Impõe!”

Gratidão.

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Leandro Pedro tem 24 anos, morador da comunidade do Turano/RJ, fundador da produtora Leandro’s e Sócio-fundador do grupo de contadores de histórias Ih, Contei! Desde 2004, é ator e contador de histórias e realiza sessões e oficinas de contação de histórias pelo Brasil.

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